PMs executaram advogado a mando de farmacêutico, afirma delegado


26/09/2017 - 06:54
Fonte: Portal Ativo
Autor: Portal Ativo
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Dois policiais militares e um ex-PM do Pará foram presos, nesta quinta-feira, 21, suspeitos de executar, a mando do farmacêutico Robson Barbosa da Costa (foto ao lado), o advogado Danilo Sandes Pereira, de 30 anos, em Araguaína, na região norte do Tocantins, em julho deste ano. Sandes foi assassinado por causa de uma herança de R$ 7 milhões. Costa foi detido no fim de agosto e encontra-se, atualmente, recolhido na Casa de Prisão Provisória (CPP) de Araguaína. 

De acordo com o delegado José Rerisson Macedo Gomes, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), os executores do advogado são os PMs Rone Marcelo Alves Paiva e João Oliveira dos Santos Júnior, e ex-militar Wanderson Silva de Sousa. Os policiais foram detidos na Corregedoria da PM em Marabá, enquanto o ex-PM foi capturado em um matagal no município paraense após tentativa de fuga. Rone foi trazido para Araguaína no helicóptero da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Tocantins. Já João Oliveira e Wanderson foram transferidos para o Tocantins em viaturas da polícia.

O trio foi preso mediante cumprimento de mandado de prisão temporária expedido pela Comarca de Araguaína. A operação que prendeu os suspeitos contou com a participação de cerca de 30 policiais. A equipe contou com agentes da DHPP, Delegacia Regional, Delegacia Especializada em Investigações Criminais (Deic), Grupo de Operações Táticas Especiais (GOTE) e Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer). 

Na manhã desta sexta-feira, 22, por falta de vagas na cela do 2º Batalhão da Polícia Militar (2º BPM), em Araguaína, Rone, João Oliveira e Wanderson foram transferidos para Palmas. Primeiros, eles passaram por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e, em seguida, foram encaminhados para o Quartel do 1º Batalhão da PM na capital. 

Rerisson diz que não há dúvidas da participação dos três homens no assassinato de Sandes. O delegado, porém, informou que só o laudo da perícia poderá dizer quem atirou contra o advogado. O autor dos disparos seria Rone ou João Oliveira. Wanderson teria cuidado da parte financeira, definindo quanto cada suspeito ganharia pela execução. "Lamentável que colegas que integram os quadros de qualquer que seja a instituição, se prestem a este desserviço a nossa população", declarou o delegado.

Em nota, a Polícia Militar do Pará afirmou que a corregedoria adotará as medidas necessárias e abrirá procedimento administrativo para apurar o caso, que poderá culminar na exclusão dos policiais da corporação. Wanderson já tinha sido expulso da corporação por ligação com outro crime. 

Disputa por herança

O crime teria relação com um processo judicial envolvendo uma herança de cerca de R$ 7 milhões. Danilo Sandes trabalhava no caso desde dezembro do ano passado. Robson é um dos herdeiros, mas a vítima advogava para ele e também para outras cinco pessoas que participam do inventário. 

Segundo o delegado José Rerisson Macedo Gomes, Danillo Sandes não aceitou pressões do acusado do homicídio que queria fraudar a distribuição de bens do inventário para ficar com mais dinheiro. “Robson tentava ocultar bens do espólio e o Doutor Danillo não aceitou isso, não se curvou a isso. Então dai já surgiu uma animosidade. Passados alguns dias, após algumas situações que ele foi descobrindo que estavam sendo ocultadas dos demais inventariantes", declarou a autoridade policial. 

Relembre o caso

Danilo Sandes Pereira (foto ao lado) desapareceu no dia 25 de julho. O advogado tinha sido visto pela última vez tomando café em um supermercado de Araguaína. Por volta das 9 horas da manhã, ele falou com uma prima por telefone e disse que teria que ir à cidade de Filadélfia, onde cuidaria de assuntos relacionados a um processo. Sandes estava de moto. O veículo foi localizado no dia seguinte, em frente à Unidade Básica de Saúde (UBS) do setor Jardim das Flores, em Araguaína.

Por volta das 9h30 do dia 29 de julho, o corpo do advogado foi encontrado por um chacareiro em uma propriedade rural às margens da TO-222, a cerca de 18 km de Araguaína, perto do entroncamento de Babaçulândia. A confirmação do Instituto Médico Legal (IML) de que o cadáver era de Sandes aconteceu no mesmo dia.

Segundo a polícia, a vítima foi morta com dois tiros na nuca. O corpo estava embaixo de uma árvore, apenas de cueca e apresentava marcas de queimadura. Os sapatos da vítima estavam a alguns metros do cadáver.