Deputado do PSDB: ‘Partido tem obrigação de apoiar o Governo de Michel Temer’

O deputado do PSDB, Luiz Carlos Hauly, concedeu uma entrevista exclusiva à Sputnik Brasil e comentou a decisão do partido de se manter na base aliada do governo de Michel Temer.


21/06/2017 - 16:23
Fonte: sputniknews
Autor: sputniknews
Link Fonte

O deputado do PSDB, Luiz Carlos Hauly, concedeu uma entrevista exclusiva à Sputnik Brasil e comentou a decisão do partido de se manter na base aliada do governo de Michel Temer.

Foram quase 5 horas de reunião, entre o final da tarde e a noite da segunda-feira, 12, para que o PSDB decidisse manter-se no Governo Temer. Contrariado com a decisão, Miguel Reale Jr., um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, anunciou que está deixando o partido. 

 

O partido foi para a reunião dividido, mas prevaleceu a opinião dos parlamentares mais antigos. O PSDB continua sendo Governo e apoiando as reformas de Temer.

 

Na mesma reunião, porém, conduzida pelo presidente interino do partido, Senador Tasso Jereissati, ficou decidido que o PSDB irá recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra a decisão do Tribunal Superior Eleitoral da última sexta-feira, 9. Por 4 votos a 3, os ministros do TSE decidiram absolver a chapa Dilma-Temer, eleita (ou reeleita) em outubro de 2014.

Para o Deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), a decisão do partido não poderia ser outra senão a de se manter no Governo. Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, Hauly afirmou:

"Apoiar o Governo é uma obrigação nossa, já que colocamos esse mesmo Governo, após participar do processo legal do impeachment que derrubou o Governo anterior. Então, há uma corresponsabilidade do PSDB com a governabilidade do país”, disse o deputado. 

Ele revela ainda as metas do partido ao permanecer no Governo: “Nossa preocupação é com a economia, com a recuperação dos 14 milhões de empregos que foram perdidos, e sair da recessão”, diz Hauly.

Em relação à divisão do PSDB, entre os parlamentares mais jovens e os mais antigos, Luiz Carlos Hauly observa:

“O ímpeto dos jovens membros do partido, os cabeças-pretas – e isso é uma força que nós temos, os melhores jovens parlamentares do país estão no PSDB – não têm esse grau de tolerância que nós, os cabeças-brancas, temos. Eu, por exemplo, tenho 26 anos de Parlamento e passei quase 14 anos fazendo oposição a esse Governo que tiramos daqui ano passado. Mas nós estamos nos entendendo, pois conversamos permanentemente, avaliando a situação”, declarou Hauly. 

Saída de Miguel Reale Jr. do PSDB

Em relação ao anúncio de Miguel Reale Jr., de que está deixando o PSDB, contrariado com a decisão do partido de permanecer no Governo, Luiz Carlos Hauly assinala:

“Esperamos que o Dr. Miguel Reale Jr. reavalie sua posição. Ele e seu pai [Miguel Reale] são pessoas muito importantes na vida jurídica nacional. O Dr. Miguel Reale Jr. esteve conosco todos esses anos, e foi, inclusive, ministro da Justiça do Presidente Fernando Henrique Cardoso. De modo que é razoável supor que ele possa reconsiderar sua decisão.”

“Espero que passe este momento difícil que o Brasil está vivendo, assim como passe este constrangimento que o Dr. Miguel Reale Jr. deve estar sentindo. Estamos todos constrangidos com esta situação. Não é o caso de uma pessoa ou duas, mas nós estamos aguentando o tranco, suportando este momento difícil da vida política brasileira", afirmou.

 

Segundo ele, "posições radicalizadas hoje só agravarão a situação política e econômica. Então, temos de pensar e ser firmes. O Dr. Miguel Reale Jr. não tem mandato, enquanto nós, que possuímos mandatos parlamentares, temos compromisso com a governabilidade. Até porque, aqui no Congresso Nacional, enfrentamos uma oposição séria e muito dura”. 

 

Junto com os advogados Hélio Bicudo e Janaína Paschoal, Miguel Reale Jr. redigiu o pedido de impeachment da Presidente Dilma Rousseff, recebido pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em 2 dezembro de 2015. O julgamento pelo Senado terminou em 31 de agosto de 2016, com Dilma Rousseff sendo deposta por crime de responsabilidade, o que possibilitou a ascensão do então vice, Michel Temer, à Presidência da República.